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  • Leticia Borges

Partos domiciliares são tão seguros quanto partos hospitalares, mostra revisão de 21 estudos

O estudo comparou dados de 1 milhão de mulheres e chegou à conclusão que grávidas de baixo risco que pretendem dar à luz em casa não correm riscos em comparação com as que pretendem ter o bebê no hospital.

A segurança do parto domiciliar é algo que costuma ser muito questionado. Mas será mesmo que os partos hospitalares são melhores que os domiciliares nesse sentido? Foi para trazer luz para esse assunto que pesquisadores realizaram um grande estudo internacional, conduzido pela Universidade McMaster, em Ontário, no Canadá, e publicado pela revista The Lancet 's EClinicalMedicine. A metanálise (análise de vários estudos sobre o mesmo assunto) usou dados de 21 estudos publicados desde 1990, comparando resultados de aproximadamente 500 mil partos domiciliares com números semelhantes de nascimentos ocorridos em partos hospitalares nos seguintes países: Suécia, Nova Zelândia, Inglaterra, Holanda, Japão, Austrália, Canadá e Estados Unidos. 

O estudo examinou a segurança do local de nascimento, informando sobre o risco de morte no momento do nascimento ou nas primeiras quatro semanas de vida e não encontrou risco clinicamente importante ou estatisticamente diferente entre os grupos domiciliar e hospitalar. Os pesquisadores chegaram à conclusão de que mulheres grávidas de baixo risco que pretendem dar à luz em casa não têm maiores chances de morte perinatal ou neonatal em comparação com outras mulheres nas mesmas condições, que pretendem ter o bebê em um hospital. 

Para a professora de obstetrícia e ginecologia Eileen Hutton,  da McMaster, diretora fundadora do McMaster Midwifery Research Center e primeira autora do artigo, o estudo é importante. "Cada vez mais mulheres em países com bons recursos estão escolhendo o parto em casa, mas as preocupações quanto à segurança persistem. Esta pesquisa demonstra claramente que o risco não é diferente quando o parto é em casa ou no hospital", diz. 

No Brasil a realidade é outra A obstetriz Priscila Raspantini, da casa Moara - espaço de convivência dedicado às mulheres grávidas, comenta que, no Brasil, o modelo de atenção é baseado no médico. "As pessoas têm pouca segurança no profissional que não seja médico, porque não é da nossa cultura. Mas vemos, sim, um aumento, uma demanda crescente pelos partos domiciliares. As mulheres sabem que essa opção existe e é segura”, diz. 

Ana Cristina Duarte, parteira e obstetriz há 9 anos e coordenadora do GAMA - Grupo de Apoio à Maternidade Ativa - lembrou que quando os estudos são realizados em países ricos, o sistema de atenção ao parto é integrado e as obstetrizes são muito bem treinadas, além de haver um bom pré-natal “É possível termos esse mesmo nível de segurança aplicado aqui com um plano de parto bem elaborado, um pré-natal de excelente qualidade, hospital de retaguarda e anestesista de plantão 24 horas. Sem esses cuidados, os riscos podem aumentar um pouco”, comentou a profissional. 

Já o obstetra Eduardo Borges da Fonseca, presidente da Comissão Nacional Especializada de Perinatologia da Federação Brasileira das Associações de Ginecologia e Obstetrícia (Febrasgo) é preciso muita cautela em relação às conclusões, a fim de evitar falsas ideias de segurança, especialmente quando se trata das condições econômicas do Brasil, suja realidade é diferentes dos países observados no estudo. 

Seja em casa, no hospital, por cesárea ou parto normal, é fundamental que a mulher possa fazer sua escolha com base em informações e que essa decisão seja respeitada. Para as gestantes, a dica é buscar informações, conversar com o médico, com os familiares e até mesmo com outras mães. Para uma boa experiência de parto, sentir-se segura e protegida faz toda a diferença.


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